"O que diferencia «uma mudança reformista» de «uma mudança não reformista» num regime político, é que no primeiro caso o poder continua fundamentalmente nas mãos da antiga classe dominante e que no segundo o poder passa das mãos dessa classe para uma nova."

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

OS LUGARES ONDE MARCELO NÃO VAI


O dom de Marcelo é ir a todo o lado sem nunca estar em lado nenhum. Omnipresente na comunicação social, falta à chamada sempre que o interesse nacional coincide com os interesses da classe trabalhadora. Onde está Marcelo quando as populações se batem pelos correios do povo? Porque não dá os seus «afectos» às quase 500 trabalhadoras da Gramax? Meio milhar de operárias com meses de salário em atraso defendem a dignidade e os postos de trabalho de um processo fraudulento de insolvência. Quando, em piquetes de 24 horas, à chuva e ao frio, desafiando a fome, a incerteza e muitos dramas familiares, as operárias da antiga Triumph impedem o roubo da maquinaria estão também a impedir a destruição do aparelho produtivo português. Porque será que Marcelo, sempre tão palavroso sobre moda, jogos de futebol, restaurantes e exercício físico, nada tem a dizer sobre esta matéria? Porque será que o Presidente, incansável na sua digressão afectiva, não vai a Sacavém?

A resposta é que Marcelo só visita vítimas e voluntários, e as inderrotáveis mulheres de Sacavém não aceitam ser uma coisa nem outra. O que lhe sobra em «afecto», falta-lhe em solidariedade.

As operárias da Triumph são apenas um exemplo: podíamos falar dos operários da Seda Ibérica, neste momento em greve contra os horários desumanos, da Autoeuropa, que não abdicam do direito ao fim-de-semana e à família, dos professores, dos enfermeiros, dos trabalhadores da administração pública... Por mais elementarmente justa que seja a causa, Marcelo faz ouvidos moucos a quem luta.

A MÃO QUE TIRA A SELFIE


De costas para tudo o que aparece na selfie, Marcelo cultiva uma popularidade inventada, alimentada e dirigida há muitos anos pela comunicação social da classe dominante. Os afectos podem até ser genuínos, mas a mão que tira a selfie é da TVI. Por isso, a atenção mediática e a atenção presidencial que merecem as lutas dos trabalhadores estão sempre ao mesmo nível.

" Isso é uma coisa, chama-se caridade, é um desporto competitivo semelhante ao golfe e fica sempre bem na selfie. "

Mas que ninguém pense que Marcelo está num concurso de misses. A sua popularidade não é um fim em si mesmo: são munições parcimoniosamente poupadas em Sacavém para, quando for mesmo preciso, disparar em defesa dos patrões. Até lá, Marcelo prefere causas menos problemáticas, ou «consensuais», como lhes chama. Marcelo comporta-se como os «famosos da televisão» que, quando se trata das operárias da Triumph, #AdoptamEsteSilêncio porque a TVI não lhes preparou uma campanha mediática, ou porque, coitadinhos, não sabiam, ou, simplesmente, porque fica mal a uma estrela andar metido em política. Uma coisa é alimentar os sem-abrigo, combater o desperdício alimentar, dar afecto aos pobrezinhos e todas as demais benevolências paternalistas, estritamente voluntárias, que em afectados movimentos ou i pê ésse ésses, aristocráticas e sempre descendentes, atirem um carapau enquanto escondem a cana de pesca atrás das costas. Isso é uma coisa, chama-se caridade, é um desporto competitivo semelhante ao golfe e fica sempre bem na selfie. Outra coisa são 500 famílias atiradas para a miséria que exigem (atenção, exigem) os postos de trabalho e os salários em atraso. Isso é política. E na carreira de apresentador de televisão, como na de Marcelo, não interessa.


Neste caso, interessava. A atenção de Marcelo contribuiria para alterar a postura do governo do PS que, ocupado a ajudar financeiramente os milionários da Uber e da Brisa, lava as mãos do crime que está a acontecer em Sacavém. Mas, já sabemos, o que Marcelo tem para oferecer aos trabalhadores são afectos e aquilo de que os trabalhadores precisam é solidariedade. De trabalhadores para trabalhadores, iguais para iguais.

Uma história por contar

Não me surpreende o silêncio que a generalidade da comunicação social dominante tem feito sobre o livro "O 25 de Novembro e os media estatizados”... Um silêncio de rachar pedras!

Acabou de aparecer nas livrarias, em Dezembro, o livro de Ribeiro Cardoso, “O 25 de Novembro e os media estatizados”, com o subtítulo, “Uma história por contar”. Fica assim o ano de 2017 marcado pela publicação de dois livros, o referido, e o “Quando Portugal ardeu”, de Miguel Carvalho, que são importantes contributos para combater a amnésia sobre o que foi o PREC e o 25 de Novembro. E, fundamentalmente, para ajudar a desmontar as mistificações monstruosas que sobre esses acontecimentos a historiografia “oficiosa” foi tecendo, com muita ajuda da academia e total e activa cumplicidade dos media dominantes. Casos como o da Renascença, o do República ou dos “saneados” do Diário de Notícias por José Saramago! Porque, como alguns textos a propósito das “comemorações” de algumas datas demonstram, há os que continuam convencidos que a mentira repetida acabará por ser a verdade!
Bem-haja o jornalista Ribeiro Cardoso por nos vir recordar de forma viva e impressiva, fundamentada e suportada por muitos depoimentos dos que directamente participaram, ou melhor, sofreram na pele a arbitrariedade, ilegitimidade das decisões então tomadas pelo poder político de direita, PS, PSD e CDS, no pós 25 de Novembro. Tratou-se “de 152 suspensões e despedimentos de trabalhadores da comunicação estatizada sem processo disciplinar e sem direito a defesa no 25 de Novembro.” Que ao fim de vários anos foram absolvidos pelos tribunais, mas já sem remédio para carreiras profissionais arruinadas e dezenas de vidas pessoais e familiares destruídas. Não me surpreende, assim, o silêncio que a generalidade da comunicação social dominante tem feito sobre o livro desde que ele foi apresentado, em fins de Novembro. Um silêncio de rachar pedras!
E a leitura do livro acabou por me levar alguma resposta a outras preocupações sobre a comunicação social que temos. Será que o domínio absoluto de um pensamento quase único, unidireccional, pejado de ignorância e falta de rigor, de sistemática ausência de real investigação jornalística, de repetição de chavões e empestado de preconceitos, tem alguma coisa a ver com a prática liquidação da cultura de resistência, rebeldia, empenhamento social e cívico, coragem profissional de toda uma geração profissional saneada pelo 25 de Novembro? Mesmo sabendo que uma parte deles, felizmente, ainda anda por aí, a remar contra a maré. (Mesmo sabendo que é também o resultado da quase total eliminação da comunicação social pública, pela sua entrega aos media do capital privado, ditos “independentes”).
Eu tenho de perceber, por exemplo, como é que esta comunicação social foi capaz de alinhar, a propósito da revisão da Lei do Financiamento dos Partidos, na espantosa concentração de mentiras, exibição de ignorância e má-fé ao serviço da exploração mais rasteira de populismo e demagogia, em nome da defesa da transparência do regime democrático. Eu tenho de perceber muitas outras coisas… mas acho que tudo está claro. Muito claro.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

 O "Petit" Ditador!

Francisco Oliveira, qual ditadorzito! impediu que fosse discutido e aprovado na ultima reunião da Câmara, um "voto de pesar" pelo falecimento de Joaquim José Dias, Antifascista e Comunista, a quem todos nós muito ficamos a dever pelo facto de hoje vivermos em democracia e liberdade!

Joaquim José Dias , esteve preso em Peniche por lutar pela liberdade, muito antes do 25 de Abril e em 1993 foi eleito presidente da Junta de Freguesia do Couço, cargo que desempenhou até 1997, faleceu a 1 de janeiro de 2018.

A atitude do presidente da Câmara é reprovável e indigna, cada um de nós que tire as devidas ilações!!!


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Negócio da China!

A maioria socialista na CMC decidiu com a complacência do PSD, avançar para uma "permuta" na Lamarosa.

O negócio tem os seguintes contornos (AQUI)


A câmara "troca" um lote de terreno (cujo solo é apto para construção) de 600m2 por um outro lote com 170m2.

A avaliação feita, apesar das diferenças de área, foi de 15,700.86€ para o lote de 600 m2 e de 15,699.00€ para o lote de 170m2.

Este é mais um processo sem clareza nem transparência.

Qualquer munícipe, com um QI mediano, percebe que "aqui há gato".


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Esclarecido o imbróglio!

Em julho, do ido 2017 (aqui), questionei o porquê de a "nossa" câmara municipal presentear a "Búzios" com 4500€ para a compra de uma MOTA de ÁGUA. ?

Agora percebi a razão de tal brinde, fiz uma "visita" ao sítio da Búzios e fiquei esclarecido.

A MOTA de ÁGUA é para a "Empresa Búzios" arrebanhar uns trocados, através dos "cursos" que promove para a prática da navegação de recreio.

Cursos de:
Principiante, marinheiro, patrão local, patrão de costa, etc;

Cursos que têm os seguintes preços:
Marinheiro – 320€;
Patrão local – 490€;
Curso de Mergulho – 400€;

Estes cursos são ministrados nas infraestruturas municipais, nomeadamente nas piscinas e no que diz respeito ao curso de marinheiro é especificado no folheto informativo que este curso incluirá também! o módulo de MOTA de ÁGUA, no mar.



E assim esta empresa vai desenvolvendo o seu negócio, financiada com fundos municipais porque a maioria socialista insiste desde há anos em considerar esta "Raríssima" como uma associação sem fins lucrativos e a atribuir-lhe subsídios anualmente.

Quando a Búzios é na prática uma média empresa que como qualquer empresa se faz pagar pelos serviços que presta, em vários pontos do país.

Portanto a CMC subsidiou a compra da MOTA DE ÁGUA que agora é usada! não no concelho para "salvamento no espaço aquático" mas para o negócio privado!

Tem de haver transparência e legalidade na atribuição dos subsídios.




quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

 Um dos imprescindíveis como dizia Bertolt Brecht


Faleceu Joaquim José Dias, o seu funeral realizou-se ontem, em Santa Justa (Couço), contava 88 anos, a esmagadora maioria deles passou-os a lutar por uma sociedade mais justa, sem exploradores nem explorados, nunca se conformou com as desigualdades.

Homem de grande modéstia e integridade! Sempre disponível e solidário para com os seus companheiros.

Foi funcionário do PCP na clandestinidade.

Teve um papel de grande relevo na preparação e organização da "grande greve do Couço", em Junho de 1958 e posteriormente na luta pelas "8 horas".


Esteve preso pelo regime fascista de Salazar nos anos 60.


Já depois do 25 de Abril foi eleito Presidente da junta de Freguesia do Couço (1993- 1997).




sábado, 30 de dezembro de 2017

Oliveira o Ilusionista!

O último "boletim de propaganda" da CMC que está a ser distribuído neste final de ano trás na primeira página uma "foto" (que para os menos atentos e para quem não reside na Vila ) enganosa, a  deturpar a realidade.


Não é inocentemente que isto aconteça! o presidente da câmara quer criar a ilusão que está a cumprir com o prometido.

Mentira! o edifício da Rua Júlio Maria de Sousa, onde a Câmara já enterrou 400 mil euros na compra e nos projectos para conclusão das obras está como se pode ver na foto.


E ele quer-nos fazer crer que em 2018 é que vai ser concluída a obra.

Que já era para ter sido iniciada em 2013!

Acresce que agora até já admite que a construção existente pode ter que vir a ser demolida! o que vai arrastar ainda mais no tempo a conclusão da dita construção.

Então porque nos querem iludir?! não é séria esta forma de fazer política!

Ganharam as eleições, mas isso não lhes dá o direito de tratarem os coruchenses como se fossem atrasados mentais.


O país aguarda ansioso que intestino presidencial se porte bem!